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A
morte do profeta provocou uma crise. Ele morreu sem deixar
descendente masculino e sem sucessor claramente designado. Como diz
Philip Hitti: "O califado (cargo de califa) é, pois, o mais
antigo problema que o islamismo teve de enfrentar. Foi nomeado (8 de
junho de 632) sucessor de Mohammad por meio de um tipo de eleição
em que participaram os líderes presentes na capital, al-Madinhah."
- (História dos Árabes).
O
sucessor do profeta seria um governante, um khalifah, ou califa.
Contudo, a questão concernente a quem eram os verdadeiros
sucessores do profeta virou motivo de divisões nas fileiras do
islamismo. Os muçulmanos sunitas aceitavam o princípio de cargo
eletivo, em vez de a descendência sanguínea do Profeta. Assim eles
crêem que os três primeiros califas, Abu-Bekr (sogro de Mohamed),
Omar (conselheiro do Profeta) e Otmã (genro do profeta), eram os
sucessos legítimos.
Essa
afirmação é contestada pelos xiitas, que dizem que a
verdadeira liderança vem da linhagem sanguínea do profeta e por
meio de seu primo e genro, Ali ibn Abi Talib, o primeiro imane (líder
e sucessor), que se casou com a filha predileta do profeta, Fátima.
Seu casamento produziu os netos, Hasã e Husain. Os xiitas afirmam
também "que desde o início Allah e Seu Profeta haviam
claramente nomeado Ali como único legítimo sucessor, mas que os três
primeiros califas usurparam seu cargo de direito". (História
dos Árabes) Naturalmente, o conceito dos muçulmanos sunitas é
outro.
Durante
o domínio de Ali como quarto califa (656-661), surgiu uma rixa a
respeito de liderança entre ele e o governador da Síria, Moávia.
Envolveram-se entre ele e o governador da Síria, Moávia.
Envolveram-se em batalha, mas, daí, para evitar mais derramamento
de sangue muçulmano, eles submeteram a sua disputa ao arbítrio.
Ter Ali aceitado o arbítrio enfraqueceu a sua causa e alienou
muitos de seus seguidores, incluindo os Caridjitas (dissidentes),
que se tornaram seus inimigos mortais. No ano 661, Ali foi
assassinado por um caridjita fanático, com um sabre envenenado. Os
dois grupos (sunitas e xiitas) estavam em forte desacordo. Daí, o
ramo sunita do islamismo escolheu um líder dentre os omíadas,
ricos chefes de Meca, que não eram da família do profeta.
Para
os xiitas, o primogênito de Ali, Hasã, neto do profeta, era o
verdadeiro sucessor. Contudo, ele renunciou e foi assassinado. Seu
irmão Husain tornou-se o novo imane, mas também foi morto, por
tropas omíadas, em 10 de outtubro de 680. A sua morte, ou martírio,
como os xiitas a encaram, teve um significativo efeito sobre o Shiat
Ali, o partido de Ali, efeito que perdura até os dias de hoje. Eles
crêem que Ali era o verdadeiro sucessor do Profeta e o primeiro
"imane (líder) divinamente protegido contra o erro e o
pecado”.O maior segmento dos xiitas crê que houve apenas 12
verdadeiros imanes, e que o último destes, Mohammad al-Muntazar,
desapareceu (em 878) "na gruta da grande mesquita de Samarra,
sem deixar descendência". Assim, "ele se tornou o imane
oculto (mustatir) ou esperado (muntazar)... No devido tempo ele
aparecerá como o Madi (o divinamente guiado) para restaurar o
verdadeiro islamismo, conquistar o mundo inteiro e introduzir um
breve milênio antes do fim de todas as coisas". - História
dos Árabes.
Anualmente,
os xiitas comemoram o martírio do Imame Husain. Fazem procissões
em que alguns se cortam com facas e espadas e de outras formas se
autoflagelam. Em tempos mais recentes, os muçulmanos xiitas têm
estado freqüentemente nas notícias devido ao seu zelo pelas causas
islâmicas. Contudo, eles representam apenas uns 20 por cento dos muçulmanos
do mundo, a maioria dos quais são muçulmanos sunitas. |