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Jornalistas
do USA Today em Washington e na região do Golfo Pérsico
entrevistaram autoridades norte-americanas e estrangeiras,
especialistas independentes e líderes da oposição iraquiana, a
fim de obter respostas perguntas sobre as conseqüências da guerra.
Muitas dessas questões não têm respostas fáceis e, de fato, só
serão respondidas pelo desenrolar da situação.
Lawrence
Lindsey, assessor econômico de Bush, estima que os custos fiquem
entre US$ 100 bilhões e US$ 200 bilhões. Mesmo US$ 100 bilhões é
uma quantia que representa mais do que os orçamentos anuais somados
para o departamento da Educação e o de Veteranos de Guerra.
Parlamentares democratas do Comitê do Orçamento, na Câmara dos
Deputados, estimam que os custos para uma guerra que dure entre 30 e
60 dias fiquem entre US$ 48 bilhões e US$ 93 bilhões, dependendo
de quantos soldados norte-americanos sejam mobilizados.
O
Departamento de Orçamento do Congresso, suprapartidário, afirma
que a guerra teria um custo que ficaria entre US$ 6 bilhões e US$ 9
bilhões mensais; e uma posterior ocupação custaria algo entre US$
1 bilhão e US$ 4 bilhões por mês. O envio inicial de tropas
custaria entre US$ 9 bilhões e US$ 13 bilhões, segundo o
departamento. Trazer as forças norte-americanas de volta para casa
custaria entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões.
Em
1991, governos aliados arcaram com a maior parte do custo de US$ 61
bilhões da Guerra do Golfo (o equivalente a US$ 80 bilhões,
considerando-se a inflação). Desta vez, os Estados Unidos vão ter
que pagar sozinhos a maior parte da despesa.
Preocupações
com a possibilidade de uma guerra já estão tendo um peso adverso
sobre a frágil recuperação econômica. Quando o Iraque invadiu o
Kuait, em 1990, o S&P 500 caiu 15% em dois meses. Mas, assim que
a campanha de bombardeio norte-americano começou, este índice
subiu, e, após ter sido declarado o cessar-fogo, ficou em um
patamar 3% mais elevado do que aquele anterior ao ataque
A
perda do petróleo iraquiano durante uma guerra não provocaria carência
importante do produto, segundo os especialistas, e diplomatas
norte-americanos estão buscando compromissos por parte de outros países
produtores no sentido de que estes compensem a falta da produção
iraquiana. No entanto, pode haver problemas se um outro grande país
produtor de petróleo for afetado, por razões políticas, ou se o
conflito se disseminar. Os economistas se preocupam com a
possibilidade de que um aumento constante do preço do petróleo
possa empurrar o país de volta para uma recessão
Seria
bastante diferente da Guerra do Golfo. Naquela época, o objetivo
era derrotar o exército iraquiano e libertar o Kuait. Agora, a meta
seria derrubar Saddam, mas não necessariamente derrotar as suas forças
armadas, especialmente se a maior parte das forças iraquianas
pudesse ser persuadida a não lutar.
Nesta
guerra, os Estados Unidos utilizariam armas de alta tecnologia --
incluindo aviões de reconhecimento não tripulados e "bombas
inteligentes" guiadas por satélite , e não uma força maciça.
Ao invés disso, uma campanha de bombardeio seria seguida por forças
terrestres norte-americanas de avanço rápido, incluindo tropas de
operações especiais de elite.
Historiadores
militares comparam a guerra que parece iminente com uma misto de
invasão do Panamá, em 1989, que tirou do poder o ditador Manuel
Noriega, com a recente guerra no Afeganistão.
Especialistas
em defesa acreditam que Saddam poderia ser retirado do poder em
questão de semanas, caso a maior parte do exército iraquiano o
abandonasse, assim como fizeram milhares de seus soldados durante a
Guerra do Golfo de 1991. Mas esses especialistas admitem ser possível
que a batalha dure mais tempo, caso o exército regular e a Guarda
Republicana de elite de Saddam se dispersem em Bagdá e outros
centros urbanos. As forças norte-americanas foram treinadas para
guerrilha urbana, mas esse tipo de combate implica em grandes riscos
de que haja baixas entre a população civil, e minimiza as
vantagens de um arsenal de alta tecnologia. Os estrategistas de
guerra dos Estados Unidos querem que a guerra termine até o final
de abril, quando começa o período mais quente do ano.
Amr
Moussa, secretário-geral da Liga Árabe, adverte que uma guerra dos
Estados Unidos contra o Iraque "abriria as portas do
inferno" no Oriente Médio. Poderia haver violentos protestos
em toda a região, especialmente se Israel se envolver na guerra. O
maior desafio estaria na Jordânia, que possui uma população
majoritariamente palestina e um jovem rei que é pró-ocidente.
"As ruas vão ficar furiosas", prevê o ministro das Relações
Exteriores jordaniano, Marwan Muasher. "A população nas ruas
vai encarar o evento como uma guerra entre norte-americanos e árabes
e entre norte-americanos e muçulmanos".
A
reação árabe vai depender, em parte, de se o ataque vai contar ou
não com o apoio da ONU, de quanto tempo vai durar a guerra, de
quantos árabes vão morrer e de como o povo iraquiano responderá,
caso Saddam seja derrubado. Se os iraquianos forem vistos
comemorando nas ruas, isso poderia desestimular protestos árabes em
outras áreas.
Vários
opositores da guerra com o Iraque temem que tal conflito venha a
unir as nações árabes do mundo contra os Estados Unidos e os seus
aliados. Brent Scowcroft, assessor de segurança nacional do
primeiro presidente Bush durante a Guerra do Golfo de 1991, diz que
ataques iraquianos contra Israel poderiam provocar uma resposta
israelense com artefatos nucleares, "desencadeando um Armagedon
no Oriente Médio". Outros governos árabes podem se tornar
instáveis, criando o pano de fundo para décadas de conflitos no
Oriente Médio e incitando terroristas, que veriam a guerra como um
conflito entre norte-americanos e o mundo muçulmano.
Aqueles
que apoiam a guerra dizem que um governo novo e democrático no
Iraque poderia se tornar um modelo para o resto da região. Um
ditador perigoso seria varrido do mapa. Governos repressores, que são
refúgios para fundamentalistas islâmicos, poderiam se sentir
compelidos a caminhar rumo à democracia e a eliminar terroristas,
caso se convencessem que os Estados Unidos não fossem tolerar as
suas atuais conjunturas.
O
governo já começou a fazer alguns planos para um Iraque pós-Saddam.
Mas Bush tem pouca paciência para com a "construção de nações",
um conceito que foi alvo de suas zombarias durante a campanha
presidencial de 2000. Ele estaria inclinado a passar grande parte
dessa responsabilidade para as mãos das Nações Unidas. Os custos
da reconstrução do pós-guerra poderiam ser altos. Após a Segunda
Guerra Mundial, os Estados Unidos contribuíram com US$ 1,3 bilhão
quase US$ 11 bilhões, a preços de hoje sob o Plano Marshall,
para a reconstrução da Alemanha.
O
vice-secretário de Defesa, Paul Wolfowitz, defensor da guerra, diz
que o Iraque, que possui uma população educada e uma fonte
imediata de rendimentos, que é o petróleo, poderia se transformar
em um modelo florescente de democracia em um mundo árabe destituído
de governos democráticos. Mas há quem duvide de que o governo Bush
vá se preocupar com quem, no final das contas, governe o país,
contanto que se trate de uma liderança pró-americana. |